domingo, 7 de agosto de 2011

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Acabei de voltar de Berlim, a cidade que mais amo no mundo e me sinto sem ânimo, energia ou inspiração.
Tô chata inclusive.
A viagem foi incrível e ainda tive a companhia de um pedaço da minha família comigo, mas Berlim é uma cidade intensa, que consome bastante da gente.
Ontem a gente "visitou" Sachsenhausen, um campo de concentração e hoje "visitamos" uma exposição chamada Topografia do Terror. 
E Berlim em 4 dias é assim, com muita emoção. Não dá tempo de pensar no almoço feliz ou numa passadinha na loja moderninha. É história non-stop, emoções atrás de emoções.
A maioria das coisas que vi nesses dias não me eram novidade, mas passar o dia num campo de concentração, além de novidade, foi uma experiência dura, cruel e que vai ficar pra sempre marcada na minha vida. Espero que um dia (e que seja logo) eu consiga transformar tudo aquilo em algo positivo (tem que valer de algo, né?), mas nesse minuto eu não consigo... 

Aproveitando que eu não tenho a menor vontade de falar alguma coisa, deixo aqui um texto que meu irmão me mandou e que tem muito a dizer.

Volto aqui quando a alegria der as caras : )

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Desencanamento britânico

Posso voltar pro Brasil mais perdida do que nunca, mas de uma coisa eu sei: muitas das minhas frescurites ficam por aqui. 
Tá pra nascer povo mais desencanado que o londrinho / pessoa que mora em Londres. E eu, como boa reparadora que sou, andei captando algumas dessas desfrescurites e estou treinando em mim mesma. Tenho feito bastante progresso em algumas e alguns retrocessos em outras.
Vamos por capítulos.
Capítulo 1: o jornal do metrô
Aqui eles têm um jornal free edição especial metrô. To-do mun-do lê esse jornal no metrô e quando acabam, deixam atrás do banco pro próximo que quiser ler. Meu problema na verdade são dois. Um: a impressão é bem ralé e a tinta do jornal fica inteira na mão (sempre sujo a cara ou a roupa quando me encosto e a pele fica seca no último grau). Dois: tenho pavor de pegar um jornal e encontrar alguma coisa deixada pelo leitor anterior (tipo chiclete mascado, pedaço de comida, baba de dedo que vira a página...). A boa notícia é que faz uma semana que leio todo dia esse jornal. A má notícia é que gastei 1 pote de alquinho durante a mesma semana.

Capítulo 2: encostando no metrô
Acho uma das coisas mais asquerosas do mundo ver vidro sujo de gordura de cabelo. Sabe como? Aquele lugar que todo mundo encosta a cabeça e haja oleosidade no final do dia. Pois então, aqui todo mundo encosta no tal espacinho da cabeça, seja rico, pobre, feio e bonito. Encostei lá umas duas vezes porque dormi sem querer. Se fosse a Laura de 1 mês atrás, com certeza eu teria lavado o cabelo chegando em casa. A Laura de agora se contentou em dormir com o cabelo preso. Uhuu!

Capítulo 3: a saia.
As londrinas têm problemas com saia, juro. Primeiro porque elas não têm nenhuma noção de comprimento. Tá cobrindo o básico, tá bacana. Segundo porque elas não sabem lidar com as pernas enquanto vestidas de saia. E no metrô o povo senta um de frente pro outro, ou seja, ver a calcinha alheia é tão básico quanto ver um cotovelo.
Esse é um dos retrocessos, simplesmente me recuso a usar saia.
Capítulo 4: o cachorro
0,4% dos londrinos andam com o cachorro preso por uma coleira. Eles desencanam do bichinho e andam felizes na sua individualidade. Se o cachorro quiser acompanhar, ótimo, se não quiser, vira cartazete de poste.


Capítulo 5: o(a) filho(a)
Quero ser uma mãe londrina. Eles não precisam nascer aqui, mas quero me comportar como uma verdadeira mãe londrina quando meus futuros filhos nascerem. Elas são absurdamente desencanadas. Não tem essa de ficar cercando o filho e enchendo ele de cuidados. Tem mãe que coloca o carrinho com o filho no lugar reservado pra carrinhos dentro do ônibus e vai sentar lá no fundão feliz da vida lendo seu livrinho. Maior frio da paróquia e crianças felizes correndo de camiseta e shorts. A chupeta que cai no chão ganha uma esfregadinha na camiseta e volta pra boca do filho. As mães se divertem com a sintonia entre seus filhos e os pombos (muito ecaaa). 
Capítulo 6: o cabelo
A regra é: lavar estraga, pentear jamais, se chover que chova no meu cabelo. E podem acreditar que o desencanamento capilar faz maravilhas. As londrinas são ótimas e super criativas nos penteados, eu adoro e assumo que imito. Mas não tem jeito, pra ficar formoso, tem que estar sujo e bagunçado. Eu confesso que tenho pulado umas lavagens só pra garantir o cabelo minimamente bagunçado e isso é um baita avanço na minha vida.


Capítulo 7: o brechó

Tenho plena consciência que só volto curada pro Brasil o dia que conseguir comprar uma roupa de brechó. Os brechós aqui (ou vintages stores, como chamam), são muuuuuuito hype, muitoooo famosos, muiiitooo procurados e muiiiiito fedidos. Não fedidos, fedidos... cheiro de quarda-roupa velho (o que faz todo sentido), de vou-morrer-de-rinite, sabe?
Todo mundo que eu conheço aqui compra pelo menos uma roupa de brechó por semana. E tenho que concordar que são muito bacanas mesmo, ainda mais pra quem gosta da moda dos anos 60 e 70. O problema é que eu não consigo, nããão consigo. Não consigo pensar na hipótese de me vestir com a roupa de alguém que eu nunca vi na vida. Eu sei que é só lavar, mas fico pensando no tanto que a pessoa deve ter suado, no que ela fez usando aquela roupa... não fico feliz. A minha aflição está ali, nas partes de roupa que mais ficam em contato com a pele (as dobrinhas do corpo). 
De qualquer forma, eu estou super empenhada e acho que vou começar por um lenço (neutro, sem dobras) que vi e gostei. 
Tem gente que compra chapéu em brechó. Tipo a coisa mais nojenta e-v-e-r.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Paraninfa

Iuuuuuuuupii! Acabo de me formar no meu primeiro curso! 
Lá se foi julho... um mês inteiro de aulas de inglês e algumas outras aulas de moda. Foi tudo muito produtivo, divertido e um tanto quanto cansativo. E como eu fui uma ótima aluna, tenho direito a uma semana de férias antes do próximo curso que começa dia 8 de agosto e cujo-super-tema é maquiagem. Muita emoção.
Mas tô aqui pra contar sobre minha formatura. Não me vesti de Harry Potter, não teve bolinha de queijo, barquinha de maionese, valsa ou alguém pra me aplaudir, mas ao mesmo tempo foi bem fofa e um tanto quanto emotiva. 
Antes de chamar um por um para receber o diploma mequetrefe, a professora falava alguma coisinha sobre o aluno condecorado. O Harry era o "melhor e mais moderno da turma". A Georgia "é a pessoa que quando ausente todo mundo sente falta, porque ela tem o sorriso mais doce do mundo" (as duas coisas muito verdade). 
...
E essa próxima aluna está me ensinando como ser uma pessoa mais feliz.
Laura, sobe aqui! 
(mentira, não tinha que subir em lugar nenhum)
...
Momento sim-eu-me-emocionei-na-formatura-do-meu-curso-de-1-mês-de-inglês.
Eu e minha professora conversamos algumas vezes sobre a vida e trocamos também alguns e-mails. Ela sabe um pouco sobre o que eu vim fazer aqui e não sei bem da onde, mas
ela tirou alguma coisa de tudo isso.
De verdade fiquei feliz de alguém ter me ligado a um aprendizado de felicidade, porque é pra isso que vim, né? 
Mas infelizmente ser feliz a gente não ensina, a gente tem que aprender tentando, tentando e tentando sempre. 
Até porque hoje, se eu pudesse ensinar alguém o que é ser feliz, eu teria que dar de presente uma passagem pra Londres, com volta só depois de 3 meses. Pra ser uma felicidade completa, meu pupilo teria que viver com a Helen e ser vizinho do Freddie. Conhecer exatamente as mesmas pessoas que conheci. Comer iogurte grego todos os dias. Aprender a rir com barulho de porquinho sem medo de ser ridículo. Passar horas tentando contar em inglês os vídeos mais engraçados do youtube. Tomar Pimms quando o primeiro raio de sol aparecer. Ter seu momento de paixão por caveiras. Ter a mãe que eu tenho (e que me ligou só 3 vezes desde que eu cheguei aqui, porque foi obrigada pelo meu irmão a me esquecer e tornar assim a experiência ainda mais intensa). Ter o irmão que eu tenho. Os amigos que mesmo longe, estão sempre por perto. Ir para Berlim em menos de uma semana. E obviamente tirar nota 95 de 100 no teste de inglês! ihihih
Tirando a passagem que infelizmente eu não consigo dar, a mãe e o irmão (e alguns amigos que não empresto), quem quiser, essa é uma fórmula pronta e bem feliz!

Daí que eu sou a pessoa mais boba no que diz respeito à mensagens de auto-ajuda e essa viagem potencializou o sentimento me obrigando a guardar as que mais me agradam. E teve uma em especial que eu guardei, não só porque eu achei linda e verdadeira, mas porque foi a mensagem que deixei pra 3 das pessoas mais queridas da minha vida antes de vir pra cá (e espero que elas estejam praticando!).
Como a idéia é tentar, tentar e tentar ser feliz, quem sabe algum (ou alguns) desses conselhos possam ajudar!

Musiquinha pra acompanhar a leitura.

LOVELY ADVICE




Health:
1. Drink plenty of water.                                                                           
2. Eat breakfast like a king, lunch like a prince and dinner like
a beggar.
3. Eat more foods that grow on trees and plants and eat less
food that is manufactured in plants.
4. Live with the 3 E’s - Energy, Enthusiasm and Empathy
5. Play more games.
6. Read more books than you did in 2010.
7. Sit in silence for at least 10 minutes each day.
8. Sleep for 7 hours.
9. Take a 10-30 minutes walk daily. And while you walk,
smile.
Personality:
1. Don’t compare your life to others. You have no idea what
their journey is all about.
2. Don’t have negative thoughts or things you cannot control.
Instead invest your energy in the positive present moment.
3. Don’t over do. Keep your limits.
4. Don’t take yourself so seriously. No one else does.
5. Don’t waste your precious energy on gossip.
6. Dream more while you are awake.
7. Envy is a waste of time. You already have all you need.
8. Forget issues of the past. Don’t remind your partner with
his/her mistakes of the past. That will ruin your present
happiness.
9. Life is too short to waste time hating anyone. Don’t hate
others.
10. Make peace with your past so it won’t spoil the present.
11. No one is in charge of your happiness except you.
12. Realize that life is a school and you are here to learn.
Problems are simply part of the curriculum that appear and
fade away like algebra class but the lessons you learn will
last a lifetime.
13. Smile and laugh more.
14. You don’t have to win every argument. Agree to
disagree.
Society:
1. Call your family often.
2. Each day give something good to others.
3. Forgive everyone for everything.
4. Spend time with people over the age of 70 & under the
age of 6.
5. Try to make at least three people smile each day.
6. What other people think of you is none of your business.
7. Your job won’t take care of you when you are sick. Your
friends will. Stay in touch.
Life:
1. Do the right thing!
2. Get rid of anything that isn’t useful, beautiful or joyful.
3. However good or bad a situation is, it will change. 
4. No matter how you feel, get up, dress up and show up.
5. The best is yet to come.
Your Inner most is always happy. So, be happy.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sub-alimentando

Eu sempre adorei supermercados. Mesmo! Encaro como um passeio me perder entre as gôndolas enquanto procuro o Miojo sabor galinha caipira, meu Sucrilhos com mel, a pipoca com manteiga light, os 5 potes de requeijão, o pão de 7 grãos, o Nescau light, a manteiga bem salgada, a bendita Coca Zero que nunca tá gelada e as novidades no mundo dos sabonetes e shampoos. Ao mesmo tempo que odeio escolher frutas e legumes, porque sempre pego alguma coisa estragada que deixa minha mão melequenta.
Daí que aqui em Londres não tem frescura nãããão minha gente! Ninguém coloca a mão dentro do saquinho pra escolher fruta. Esquece escolher sabor de Miojo. Esquece Nescau, esquece a versão light. Esquece requeijão at all. Sabonete só com muito creme junto (o que acontece com a água daqui, sério! Quero respostas). Esqueeeece pipoquinha e esquece muito muito manteiga Aviação.
Pausa rapidinho.
Eu já reparei que tenho essa mania de achar correspondentes aqui em Londres. Tento achar coisas londrinas que substituam meus preferidos no Brasil. Mal sei eu mesma que não precisamos substituir, né? Basta adicioná-las na lista do coração. Anotado.
Voltando.
No minuto seguinte que pisei aqui, a Helen me levou pra fazer as compras básicas no Tesco. Pensa no cego do tiroteio. Então. Não tinha a menor idéia do que comprar e obviamente comprei tudo errado. Joguei três sucos inteiros pelo ralo de tão intomáveis que eles eram. Deixei queijo e carne mofar na geladeira. Comprei macarrão pra fazer com macarrão mesmo. A alface criou larva.
É tudo aprendizado, né? Mas tudo indica que eu tenho algum bloqueio no quesito culinária londrina.
Temos 3 ótimos supermercados na nossa rua. O Waitrose, o Sainsburys e o Marks & Spencer e eu vou dia sim dia não em um deles. Minhas compras básicas são: brioche do café-da-manhã, suco de laranja (que a Helen me tornou uma viciada), alcaparras(!) e qualquer outra coisa que sirva como mistura (adoro essa palavra) com o macarrão. E assim vamos, perdendo uma calça por dia : )
Mas na verdade eu tenho feito boas descobertas aqui.
> O que é, por Deus, o iogurte grego???? Não me perguntem porque, mas é divino.
> A Coca zero daqui é ainda mais gostosa.
> A carne daqui não tem absolutamente gosto de nada. Aliás, tem um gosto blécatis de carne mesmo. Daí que lembrei da minha mãe que me ensinou (sem ela querer) que pra deixar qualquer comida melhor é só jogar um pacote de sopa de cebola daquelas em pó. É o melhor tempero do mundo. Acaba com a cota de sódio do ano, mas é mesmo muito bom. Tá e quem disse que aqui tem sopa de cebola e ainda por cima em pó? Minha versão carne comível leva um ovo, muita alcaparra, azeitona, alho, cebola, tomate e mussarela de búfala (a carne é quase coadjuvante). 
> Aqui não existe jantar depois das 20h e descobri que jantar as 19h é uma benção! 
> Perdi minha aflição pela textura da mussarela de búfala.
> Eu sou a pessoa mais enjoada do mundo pra tomar leite (vejo o sinal de positivo com a cabeça daqueles da família). Eu só tomo leite se for desnatado, gelado e com Nescau light. Pasmem: aqui tomo leite quentíssimo, não sei a procedência da gordura e... com café! Uou.  
> A.M.O os carrinhos de supermercado daqui! Eles são iguais às malas da gente chique e rodam para todos os lados, frente, trás um lado e outro lado. É o máximo!
> Aqui tem aqueles caixas self-service. Você passa o código de barras e vai colocando no saquinho. E se você já está pensando em como burlar o sistema, esquece. O lugar onde coloca o saquinho tem um sensor que detecta se o que tem no saquinho já foi passado pelo sensor de código de barras.
> Não entendi ainda qualé do arroz. Não tem. Tio João, corre.
> As vezes passo no mercado perto da Universidade e acho bem engraçado voltar no ônibus com as compras do mês.
> Sempre que vou no super com fome volto com dois sacos de croissant com recheio de chocolate.
> Recomendo Guns N'Roses para a trilha sonora da sua compra.

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